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Dados são o novo ouro negro?

Sim, este é mais um artigo/ opinião sobre dados e a comparação do seu valor com o do Petróleo....

É impressionante quando olhámos para trás, sobretudo para as últimas décadas e percebemos o volume de informação que existia e estava ao nosso alcance, sem quaisquer constrangimentos legais inerentes, como por exemplo o “Regime Geral de Proteção de Dados” ou equivalentes. A verdade, é que nenhum de nós atribuía, o devido valor a todo esse volume de informação; essencialmente, porque não percebíamos que valor acrescentado poderia advir dos mesmos para nós próprios, enquanto pessoas ou profissionais, exceção feita, provavelmente, por algumas Empresas de marketing e Empresas de lobby ligadas à política, as quais já nessa altura percebiam a existência de algum potencial nos mesmos.

Efetivamente, desde há alguns anos para cá, os dados têm assumido uma importância crescente enquadrando-se devidamente naquilo que muitos chamam da quarta revolução Industrial (Indústria 4.0). Desde logo, verificamos os grandes saldos tecnológicos, desde o 3G, passando pelo 4G e agora o 5G, assim como, a digitalização associada aos tempos modernos, como a “Internet das Coisas” (IoT), “Inteligência Artificial” (AI), entre outros. Paralelamente, foram concebidas ferramentas e metodologias que iam permitindo o adequado tratamento analítico dos dados, tendo em vista a prossecução de determinados objetivos.

Na atualidade, acredito que sejam poucas as ações que executamos no nosso dia-a-dia, sem que tenham alguma base subjacente de dados. O valor atribuído a algo é sempre subjetivo e depende, tal como, a maior parte dos produtos e serviços pelo valor que alguém esteja disposto a pagar (vulgarmente denominado de “Lei da Oferta e da Procura”, isto para não falar das “cinco forças de Porter”).

Na minha opinião seria um erro grosseiro comparar dados e o seu valor, com o crude e seu valor. Apesar disso, reconheço que existem algumas similaridades entre ambos ativos. Ambos, são uma espécie de “matéria-prima” que tem valor transacionável desde que adequadamente “refinados”. De facto, qualquer uma destas matérias primas só se traduzem em valor para o consumidor (B2B ou B2C) se forem refinados (no caso do crude) e tratados/ analisados (no caso dos dados). É aqui que entram em acção os novos “profissionais” dos tempos modernos – os Cientistas de Dados!

Atrevo-me a afirmar que os dados são uma fonte inesgotável e infinita presente em todo o Mundo, ao contrário, das reservas de crude que são o oposto. Adicionalmente, o potencial de valor é substancialmente superior no caso dos dados, quando comparado com o crude.

A chave de tudo isto é seguramente, a forma como se tratam e analisam estes mesmos dados (“Big data”) e, consequentemente, se transformam em valor efetivo transacionável.

“Big data” é vulgarmente referido como “uma solução tecnológica voltada para a análise e interpretação de grandes volumes de dados, oriundos de diversas fontes. O termo é mais comumente utilizado para descrever a estratégia de reunir, sistematizar, organizar e processar grandes volumes de informações”.

Esta análise e tratamento de grandes volumes de dados/informação impacta fortemente na (r)evolução da Sociedade. Traz novos desafios e oportunidades, mas sobretudo obriga-nos a todos nós, quer queiramos quer não, a termos capacidade de adaptação e “reinvenção” para lidar com todas as consequências que advêm daqui, quer em termos pessoais, quer em termos profissionais (seja nas Empresas, seja nas Instituições e Organizações Públicas, passando pelos Reguladores).

Acima de tudo, há que saber usar e tratar os dados de uma forma responsável, ética e idónea e para isso, nada melhor do que recuar ao século XVIII e revisitar a obra do filósofo Immanuel Kant no que toca a esta temática.

Tal como dizia Stan Lee, em “O Homem-Aranha”, “Com grande poder vem grande responsabilidade”.